Roteirista e Escritora

O salto

Posted by on Jan 31, 2012 in Crônicas, Slideshow | 0 comentários

O salto

Há esportes de todos os tipos: os que instigam velocidade, os que exigem resistência, os que precisam de jogo de cintura, os que alternam entre estar sozinho e formar uma equipe. E, entre todos esses tipos, existe um denominador comum: superar-se de alguma forma.

São poucas as coisas na vida que nos fazem saltar. Para compensar, talvez a vida tenha ajudado o homem a criar esportes que também nos fazem transpor alguns obstáculos, estimulando essa arte de pular rumo ao desconhecido. Foi assim que, em uma manhã de domingo, seguimos em direção ao salto de paraquedas, esporte tão temido e desejado.

Enfrentar o desconhecido é assim: a gente hesita, empaca, quase foge. A gente sente frio na barriga, questiona, acha um absurdo, não banca. Ou a gente deseja, fortemente, no sonho de vivenciar algo novo e melhor. A gente pensa que, passado aquele medo, aquela dificuldade, tal qual uma forte tempestade, deve vir algo realmente bom para compensar. Seja como for, somente os que saltaram, de fato, podem nos contar o que acontece depois.

O avião lotado de pessoas com semblantes iguais, sendo instruídos pelos professores em meio ao barulho, proporcionava uma sensação de procissão em direção ao juízo final. No turbilhão de pensamentos e de sensações, a gente constata muita coisa: principalmente a falta de certeza e de controle que temos em relação a nossos medos. Especulamos, calculamos, mas continuamos carregando uma falsa impressão de que estamos salvos e seguros.
Na beirada do avião, engolindo uma saliva seca de quase pânico, nasce um sentimento contraditório que mais se parece com uma constatação: a gente só salta em direção daquilo que acredita, pois é isso que movimenta nossa alma, nosso corpo e nos ajuda a escolher qualquer rumo, história ou pessoa em nossas vidas.

Passada a queda livre, o paraquedas abre feito um freio que, muitas vezes, não existe aqui fora. Corremos mais riscos aqui mesmo, jogando-nos em direção a experiências que nos espatifam no chão. Lá, no alto, saltava aos olhos a paisagem gigantesca das coisas todas, comparada ao pequeno ponto que significávamos planando no céu.

É… transpor um medo é difícil, mas superá-lo é libertador.

Pousando no chão, a sensação de adrenalina e êxtase apagou todo e qualquer sentimento de dúvida. Ou melhor: destacou a dúvida que há sempre de existir. Bastava estar ali, sentindo algo muito vivo pulsando e a certeza de que é preciso saltar, vez ou outra, para sacudir nossas histórias. O esporte do paraquedas não é recomendado para todos, mas o salto, ainda que seja apenas na imaginação, é o que mantém a engrenagem de vida funcionando.


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