Roteirista e Escritora

A hora certa das coisas

Posted by on Jan 31, 2012 in Crônicas, Slideshow | 0 comentários

A hora certa das coisas

A sede de descobrir a hora certa das coisas vem de muito tempo. Ainda pequenos, perguntávamos se era hora de comer ou de brincar. Mais além, questionávamos a hora certa em que chegaríamos a determinado lugar. Verdade que a resposta nem sempre vinha, mas ali nascia essa cisma em ajustar os ponteiros do relógio em busca do momento adequado para quase tudo na vida.

Mais crescidos, às vezes, amadurecemos e refinamos os pensamentos. E continuamos na mesma procura: seria a hora correta de pedir um aumento, de pedir para sair do emprego, de pedir licença na fila do ônibus, de pedir desculpas ao pai por uma briga sem sentido?

O tempo passou, mudamos o analógico para o digital e continuamos insistentemente olhando o relógio. Será que podemos sair mais cedo do trabalho para ir ao banco? Podemos ficar até mais tarde por aqui? Seria cedo ligar no dia seguinte, após um bonito encontro, ou tarde demais para ligar depois de um rompimento? Quem saberia, de fato, a hora certa?!

Ligamos a tevê e vem à mente se é hora de fazer alguma coisa pelo mundo, se é hora de trocar o óleo do carro, de perguntar, de responder e de dizer qualquer coisa que esteja entalada na garganta. E, assim, vivemos: morrendo de medo da hora errada porque a responsabilidade de ajustar os ponteiros da alma até encontrar a certa é grande demais.

A verdade é que a gente nunca sabe se a hora está certa. Brincamos de adivinhar a todo o tempo. Apenas torcemos para que a hora em que decidirmos seja o exato momento em que as coisas deveriam acontecer.

Podemos fazer coisas bonitas a qualquer hora, principalmente nas inesperadas. Da mesma forma, podemos estragar tudo, mesmo que estejamos diante do horário mais preciso de Brasília. Não adianta, por isso, marcar na agenda, controlar o horário e cronometrar tudo. Perdemos, assim, não a hora certa, mas a chance de descobrir a espontaneidade da nossa hora.

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